• Joana Pinheiro

O que ainda não conhece sobre as cólicas dos bebés


Ter um bebé com cólicas faz quaisquer pais se sentir inúteis e desesperados.

As cólicas são traduzidas por um choro intenso ou excessivo, que dura mais de 3 horas por dia, mais do que 3 vezes por semana. Regra geral é pior ao final do dia, quando uma hormona anti-inflamatória, o cortisol, começa a reduzir no corpo, até à noite. É comum surgir a partir da 6ª semana de vida do bebé.

Infelizmente ainda não é claro quais as causas das cólicas, mas uma forte teoria resulta da imaturidade do sistema digestivo, com desequilíbrio das bactérias intestinais.

O sistema imunitário dos bebés com cólicas está alterado. Os estudos revelam a existência de uma inflamação crónica de baixo grau persistente. Baseado num artigo de 2017, parece que a maioria dos casos de cólicas infantis está relacionado com disbiose, ou seja, um desequilíbrio na flora intestinal dos bebés. Restaurar o equilíbrio com bactérias saudáveis pode melhorar os sintomas de cólica.


Como a Nutrição Funcional pode atuar:

- A primeira medida é a prevenção, idealmente aquando a pré-conceção, ou pelo menos durante a gravidez, especialmente nos casos em que já existe uma flora intestinal ou vaginal alterada (ex: candidíases de repetição; síndrome de cólon irritável; psoríase).


- Se a mãe está a amamentar e tem uma resposta alterada ao glúten ou outra sensibilidade alimentar. Nestes casos, proteínas mal digeridas dos alimentos ingeridos conseguem entrar na corrente sanguínea e ativar a resposta imunitária, assumindo que as proteínas mal digeridas são perigosas, sem as investigar. Estas moléculas conseguem chegar ao leite materno e passam para o bebé, que responde exacerbadamente, devido a disbiose ou toxinas, ficando inflamado. Torna-se crucial, assim que possível mudar a alimentação da mãe, restaurar o seu microbioma e diminuir a permeabilidade intestinal ou disbiose. Isso passa por remover compostos irritantes, restaurar sucos digestivos, reparar a barreira com nutrientes, reinocular com probióticos e reequilibrar o estilo de vida. Quando os sintomas não melhoram, há que investigar se a mãe tem uma grande exposição a toxinas, metais pesados, fungos ou até infeções crónicas.


- Quando temos um bebé alimentado com fórmula infantil existem igualmente estratégias a aplicar. Nestes casos passa por modificar o tipo de leite e suplementar, para auxiliar o processo digestivo. Se as cólicas persistem no tempo, o processo de introdução alimentar também deve ser personalizado.


Contudo, existem outras medidas que podem ajudar:

- Ter o bebé no colo, no mínimo 3 horas por dia, pode reduzir o tempo que o bebé chora por dia. Os estudos também mostram que os pais que respondem rápido ao choro do bebé, têm bebés que choram menos (no geral). Lembre-se que não se “estraga” um bebé. Seguro-o, ame-o e responda com amor e rápido ao seu choro.

- Proporcionar um ambiente calmo. Se se sente ansiosa, respire fundo, ouça uma música relaxante e tente segurar o bebé em posições diferentes. Poderá fazer sentido passar para outro cuidador que esteja calmo.

- Procurar outras valências como a osteopatia pediátrica e a massagem anti-cólicas.


É de salientar que a informação contida no artigo é educacional e não tem em consideração a individualidade mãe-bebé. Se precisar de estratégias mais personalizadas converse com a sua nutricionista.

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