• Joana Pinheiro


Deficiência de ferro não se trata só com ferro, mesmo quando existem níveis baixos de ferro e ferritina. É importante que saiba que muitas vezes a causa dos níveis baixos de ferro e de ferritina não são só por falta de ferro.


Aspetos que interferem:

- pode haver CARÊNCIAS NUTRICIONAIS relacionadas com a transformação, absorção e transporte do ferro, como o complexo B, vitamina A, C, Zinco e cobre

- se houver uma MÁ SAÚDE INTESTINAL pode haver níveis baixos de ferro e de ferritina, pois a absorção de nutrientes fica comprometida. Por exemplo pessoas com hipocloridria (diminuição da produção de ácido clorídrico no estômago) que utilizaram por muito tempo protetores gástricos ou pessoas com disbiose intestinal (desequilíbrio da flora intestinal) têm maior risco de ter estes valores alterados;

- mulheres com FLUXO MENSTRUAL EXCESSIVO;

- as pessoas OBESAS ou com PROCESSOS INFLAMATÓRIOS;

- pessoas com DISFUNÇÃO DA TIRÓIDE.


Dessa forma, para corrigir uma deficiência de ferro ou de ferritina nem sempre a solução passa por suplementar com ferro de forma isolada. Pode ser necessário atuar sobre outras vias e corrigir eventuais disfunções.


Para complicar mais o esquema, a forma de ferro que está a ser suplementada é igualmente importante. Por exemplo o sulfato ferroso é uma opção mais barata mas tem baixa biodisponibilidade, para além de favorecer o crescimento de bactérias gram negativas no microbioma/intestino (a evitar).

Também é muito comum observar que pacientes que tomam doses elevadas de ferro por via oral sentem sintomas gastrointestinais indesejáveis como cólicas, dores abdominais, obstipação e flatulência. Hoje, sabemos que estes efeitos colaterais são sintomas de uma disbiose intestinal, provocada pelo excesso de ferro (este mineral tem uma taxa de absorção limitada no intestino delgado de no máximo 30%). Quando há a reposição de doses altas, o que não é absorvido é direcionado ao cólon, podendo levas uma alteração da flora intestinal por potenciar o crescimento de determinadas bactérias menos desejáveis e diminuir bactérias probióticas como as bifidobactérias.


Se tem dificuldade em corrigir os níveis de ferro ou ferritina, procure uma nutricionista com visão integrativa.

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  • Joana Pinheiro

É frequente ouvir várias mulheres mencionar que estão a ter uma queda de cabelo acentuada. Todas sabemos que uma mulher ver o seu cabelo ficar fino e tirar tufos de cabelo da banheira é horripilante.

No contexto atual de incerteza que vivemos, poderá verificar um agravamento da queda de cabelo. Em períodos de stress, o nosso corpo produz uma maior quantidade de cortisol que entre muitas coisas também altera a velocidade de crescimento dos folículos capilares (não são considerados essenciais para a nossa sobrevivência).


A boa notícia que lhe trago é que pode e deve ajudar o seu corpo, de forma a ter um cabelo mais saudável. Isto poderá passar por:

- Fazer análises sanguíneas e perceber quais os níveis de hemoglobina, ferro, glicose, vitamina D, entre outros. Poderá até descobrir que está anémica, o que pode ter um impacto enorme na saúde do seu cabelo.


- Gerir o stress. Realizar estratégias para conseguir lidar melhor com o stress diário pode ajudar, nomeadamente realizar respirações profundas ou meditação diariamente. Todas as pessoas o conseguem fazer e de forma gratuita, pelo menos 10 minutos por dia. Poderá ser necessário tomar suplementos como vitaminas ou adaptogénicos que ajudem a diminuir os níveis de stress.


- Hormonas equilibradas. Despistar por desequilíbrios hormonais através de testes funcionais e compreensivos poderão ajudar a perceber por exemplo se tem níveis de androgénios elevados (como num caso de SOAP*), que por sua vez podem causar uma perda de cabelo na cabeça e um ganho de pelos no rosto, pescoço ou peito.


- Verificar a sua pílula. Muitas fórmulas de pílulas anticoncepcionais possuem progestina, que tem um elevado índice androgénico. A longo prazo, poderão contribuir para a diminuição do tamanho dos folículos capilares (pode ocorrer anos antes de reparar numa acentuada queda de cabelo).


- Bom funcionamento da tiroide. Se existirem alterações na tiroide podem existir desequilíbrios nas hormonas da tiroide, que poderão levar a uma queda de cabelo. Será necessário equilibrar.


- Alimentação. É importante verificar que está a ingerir níveis adequados de proteína a cada refeição, já que ela possui aminoácidos que estimulam a função construtora, fundamentais para uma boa saúde capilar.

*SOAP -Síndrome de Ovários Policísticos


Cuide de si! Qualquer questão, encontre-me disponível para esclarecer.

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  • Joana Pinheiro

Sabia que existem pessoas com manifestações recorrentes do sobrecrescimento de Candida? Especialmente nesses casos faz todo o sentido descobrir a(s) causa(s) do problema e experimentar outras abordagens complementares.


Como se avalia o sobrecrescimento de Candida?

É possível deteção com testes específicos, que analisam a presença de ADN de microrganismos patogénicos e comensais, que habitualmente não são detetados nos exames convencionais.


O que fazer se achar que tem sobrecrescimento de Candida?

- Questionar o seu médico ou nutricionista sobre testes de pesquisa de fezes para o efeito


- Questionar sobre a possibilidade de realizar um teste de permeabilidade intestinal

É necessário garantir uma correta absorção de nutrientes e modular o intestino, de forma a corrigir as carências nutricionais existentes.


- Despistar a existência de SIBO

SIBO resulta do sobrecrescimento de bactérias no intestino delgado, que, por sua vez é comum coexistir com o sobrecrescimento de Candida. Caso aconteça, o tratamento pode ser comprometido se este aspeto não for tido em consideração.


- Evitar alimentos com açúcar

A Candida alimenta-se do que comer e adora açúcar. Dessa forma deve evitar alimentos processados, amiláceos e ricos em açúcar, até ter esta condição controlada. Em simultâneo a regulação das glicemias também deve ser conseguida.


- Evitar alimentos fermentados

Alimentos fermentados como kimichi, sauerkraut são excelentes fontes de probióticos mas também alimentam a Candida. Certos probióticos com prebióticos na composição podem propiciar o sobrecrescimento de Candida.


- Poderá ser necessário o uso de suplementos com propriedades medicinais específicas

Existe benefício na utilização de ácido caprílico, óleo de orégão e alho no tratamento do sobrecrescimento de Candida. Apesar de não serem medicamentos deve falar com o seu médico ou nutricionista para questionar se são possíveis de fazer no seu caso em particular, qual a melhor opção para si e em que dosagem os deve fazer.


- Experimentar uma abordagem funcional e integrativa

Mesmo com opções naturais, o que funciona com uma pessoa pode não fazer diferença em si e pode até ter contra-indicações. Hoje em dia existem testes laboratoriais que permitem avaliar e personalizar a melhor abordagem a ter para cada pessoa. É igualmente importante referir que o resultado a longo prazo resulta da combinação de estratégias integradas a curto e a longo prazo, onde inclusive se analisam possíveis alterações de estilo de vida.


Mesmo em casos de sobrecrescimento de Candida recorrente é possível reverter a situação.

Se tiver alguma dúvida em específico ou quiser saber mais sobre esta abordagem, sinta-se à vontade de entrar em contacto.

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